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Radical, sim. Errado, não.

por Amarelinha, em 09.02.19

Concordo inteiramente com ele.

Culpo-me cada vez que deito um saco de plástico fora. Culpo-me cada vez que compro carne, ou peixe, para a nossa alimentação. Culpo-me pelas doenças que transmiti ao meu filho, pelo simples facto de o gerar. Viver é difícil. Morrer não o é menos.

A Terra e os animais estariam tão melhor sem os humanos!

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https://expresso.pt/internacional/2019-02-07-Raphael-vai-processar-os-pais-porque-o-trouxeram-ao-mundo-sem-ele-pedir.-Vou-destruir-te-em-tribunal-disse-lhe-a-mae?fbclid=IwAR3N51evbwZHNpE0PENpS7qgvR6uTSxjAnMxfq2eNlp0ziotEWSY2cf69uc#gs.EVWVFfdU

 

O mundo é um lugar terrível. Miserável. O planeta e os animais estariam muito melhor sem a presença desta gente que aprendeu a caminhar de uma forma arrojada e que desenvolveu ferramentas e ideias. É esta a opinião de Raphael Samuel, um empresário de Mumbai de 27 anos. Por isso mesmo, o indiano vai processar os pais. Afinal, trouxeram-no para este mundo sem ele ter pedido, conta a BBC.

Tudo começou aos cinco anos. “Eu era um miúdo normal”, disse àquela cadeia de televisão britânica. “Um dia, eu estava muito frustrado e não queria ir para a escola, mas os meus pais pediram-me para ir. Então, eu perguntei: ‘Porque me tiveram?’ O meu pai não respondeu. Acho que se ele tivesse sido capaz de responder talvez eu não pensasse assim.”

O caso segue para tribunal, pois este homem argumenta que não escolheu nascer. “Eu tenho de admirar a ousadia do meu filho por querer levar os pais a tribunal, sabendo que os dois são advogados", explica a mãe. "Se o Raphael conseguisse uma explicação racional de como teria sido possível obter o seu consentimento antes de ter nascido, eu aceitaria a minha falha."

Samuel é apologista do antinatalismo. Ou seja, o mundo é um lugar terrível por isso as pessoas devem parar de procriar: “Não há razão para a humanidade. Tantas pessoas a sofrer. Se a humanidade fosse extinta, a Terra e os animais ficariam felizes. Estariam certamente melhor sem nós. Por outro lado, os humanos não iam sofrer. A existência humana não faz sentido.”

O anúncio caseiro de que levaria os pais a tribunal aconteceu há seis meses, conta a BBC. “A minha mãe disse que estava tudo bem, mas que não esperasse que ela iria facilitar. ‘Vou destruir-te no tribunal’”, disse-lhe. O argumento está preparado. O que falta a Samuel? Um advogado que aceite o caso.

publicado às 15:23

O direito a não continuar viva

por Amarelinha, em 16.11.18

Fisicamente, mulheres e homens são muito diferentes. Não estou a referir-me às evidentes diferenças sexuais, mas ao sofrimento (especialmente dores) que acompanham a mulher durante toda a sua vida, e se tornam ainda piores na velhice.

Com a idade que tenho, já vi muitos familiares envelhecerem. As diferenças são colossais. Os homens andam por aí felizes da vida, armados ainda em engatatões, convencidos de que não envelheceram. São assintomáticos nas DST. E como nada lhes acontece, ainda se dão ao luxo de achar as mulheres piegas, queixinhas e desinteressadas. É-lhes penoso suportar a velhice das suas esposas. Acham-nas uns trastes que estão ali e não arredam pé.

Eu debruço-me sobre o envelhecimento da mulher, porque eu sou mulher. Já tenho muitos incómodos. Entre doenças que se amenizam com atos médicos, e outras a que nem a cirurgia resolve, estou bem contemplada.

Como estarei eu daqui a vinte anos?

Que grau de sofrimento me espera?

O que é que é preciso morrer em mim, para que eu própria morra?

A sociedade informa-nos desde cedo, de uma forma simplista, que as pessoas chegam a velhas e morrem. Mas ninguém nos esclarece qual é o nível de degradação a atingir, para alcançar a morte.

Eu vejo, neste momento, duas mulheres que me são muito próximas, num sofrimento atroz, que nada mitiga. Quanto tempo mais terão de sofrer? É humano mantê-las assim?

A partir dos oitenta anos, o único objetivo da vida é alcançar a morte. E não me venham cá falar de atividades intelectuais e gímnicas, porque tudo isso é apenas fogo de vista.

Uma legião de otimistas, e cínicos, estará por certo já pegando pedras para atacar-me. Eu sei. Mas insisto: A partir do momento em que a idade avançada se conjuga com a morbilidade, que direito tem a sociedade de obrigar as pessoas a continuar vivas?

 

publicado às 14:48


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