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Só quem pariu é que sabe

por Amarelinha, em 26.08.22

Só quem pariu é que sabe o que sofre uma mulher em trabalho de parto, levada de hospital em hospital, por 150 km.

E não há vergonha na cara, nem dos políticos, nem dos gestores hospitalares, nem dos profissionais (vários) que tinham obrigação de cuidar dela.

Não há vergonha, nem consciência, nem misericórdia, nem a merda do juramento de Hipócrates.

Aliás, hipocrisias diversas fazem com que parir um filho seja, em pleno séc. XXI, a mesma violência animalesca que era na Idade da Pedra.

Mas adiante.

Por onde andam os médicos que nos atendiam nos Centros de Saúde e nos Hospitais ANTES da COVID-19? Trabalham? Descansam? Fazem camisolinhas de tricot? É que as consultas não são feitas. Nunca mais se retomou o sistema de trabalho anterior, que já era ruinzinho, como se sabe.

Vai havendo receituário, passado sem nos verem, e já é um grande “favor” que nos fazem.

Em que raio de atividades se ocupam eles hoje em dia, se não nos recebem em consulta, se nem sequer os administrativos nos atendem pelo telefone? Parecem querer é que vamos todos morrer, longe.

E depois queixam-se que aparece muita gente nas urgências hospitalares com incómodos que não são dignos de ali estar. Oh, que maçada! Imaginemos uma ridícula conjuntivite. Que é que é suposto o paciente fazer? Lavar os olhos com aguinha de rosas? É uma coisinha pouca, para os médicos, mas para quem a sofre incomoda que se farta. E é só um exemplo. Há-os de todos os tipos e gravidades.

Mas nos privados a coisa também tem que se lhe diga.

A minha dermatologista XPTO, que antes me via sinais com lupa, agora olha para mim lá do outro lado da secretária. Por isso, receitou-me pomada para o eczema, quando o que eu tinha era herpes. Estou-lhe mesmo grata…

O meu oftalmologista, também XPTO, até é tratado por professor, tem um tal medo de se aproximar dos doentes, que ver a graduação das lentes de correção é digno de ser filmado. Mas era um filme com duração de segundos. E não consegue disfarçar a sua enorme contrariedade. Ele está lá para assuntos mais elevados.

Na prestação de cuidados de saúde, o país regressou aos anos XXX do século passado.

As mortes estão a ultrapassar os números habituais? Claro. Como não?

Nem dá para fazermos de conta que só morrem velhos, porque é mentira.

Um país que reduziu a morte de crianças e se tornou, por isso, num exemplo, agora vê essa mortalidade aumentar. E como já ninguém junta sete filhos à mesa, é coisa para dar muito que pensar.

É triste. É criminoso!

publicado às 15:04


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