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A ausência

por Amarelinha, em 20.07.22

Ali, naquele momento, a verdade enchia a sala. Uma verdade muito para lá das espectativas. Lágrimas escorriam sinuosas até à rua e, independentes do calor tórrido do dia, continuavam brilhando pelas pedras da calçada.

Lágrimas próximas. Próximas da vida real, e conscientes do ser que ali se perdia.

Só uma lágrima veio de longe. Longe. Longe.

Apressada, em transe, atravessou bosques e vilarejos, esperando encontrar companhia. Mas ninguém se lhe juntou, para completar consigo a viagem.

Ninguém, por que, para lá de um muro invisível, mas palpável, havia apenas um sussurro, repetido, tácito e monocórdico. “Desculpa. Não posso ir.”

A inércia dos corpos espelhava a irrelevância, a insignificância, dos sentimentos.

Um “no sense” surpreendente.

Um vazio inesquecível!

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Criei este texto com a intenção de o colocar no Facebook, para que aqueles que faltaram ao cerimonial fúnebre sentissem o quanto magoaram os familiares presentes, faltando.

As desculpas com a lonjura, com o calor, com o raio que os parta, não legitimam a ausência. Não são sequer desculpáveis. São provas do pouco que apreciavam o familiar falecido. Isso magoa, fundo.

E porque os acho verdadeiramente rudes e burros, deduzi que nunca entenderiam as palavras que escrevi.

(Se calhar nem leriam. Faltar-lhes-ia a "cenoura" da imagem bacoca…)

publicado às 15:01


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