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Convenhamos, hoje muitos casais se formam, num processo de coabitação, enquanto namorados, e assim permanecem por vários anos.

Desse grupo, se extrai mais tarde uma percentagem alta, que opta por casar, quando decide ter filhos. É um percurso que, do meu ponto de vista, tem um índice de razoabilidade muito elevado.

Como pessoa casada há muitos, muitos, anos, tiro-lhes o meu chapéu. Estão certíssimos!

Posto este enquadramento, destaco a preocupação dos jovens casais em firmar a sua união, a fim de que se conservem juntos, criando os filhos. Este é o ponto determinante da minha teoria.

Tenho analisado os relacionamentos matrimoniais de muita gente, familiares, amigos, conhecidos, gente real. A vida dentro da maior parte dos casamentos, com o alongar do tempo, torna-se monótona, pesada, e sem objetivos. O amor existente à partida, transfigura-se, ou some-se, e as pessoas ficam ali vivendo um dia de cada vez, cumprindo o seu compromisso inicial, mas já sem planos, nem paciência.

Deveria ser alterado o paradigma do contrato de casamento. Sim, que é de um contrato que se trata. Em vez de “até que a morte nos separe”, deveria existir um limite de validade.

  1. Se o grande objetivo do casamento é o “crescei e multiplicai-vos”. Em minha opinião, o contrato deveria extinguir-se, quando os filhos chegassem à vida adulta: adultos, com estudos completos, emprego e habitação.
  2. Ou, num segundo momento, coincidente ou não com o nº 1, quando a esposa atingisse a menopausa, não sendo possível conceber novas crianças.

Do ponto de vista do homem, esta seria uma situação claramente vantajosa. Ele poderia procurar uma mulher mais nova que, além de lhe poder dar outros filhos, o faria sentir-se rejuvenescido. (Mesmo com as normas que existem hoje, muitos homens já optam por trocar de mulher. Costumo chamar-lhe, por gracejo, “novas oportunidades”.)

Do ponto de vista da mulher, não seria tão óbvia a vantagem. Muitas mulheres poderiam sentir-se jogadas fora, e serem, à partida, incapazes de lobrigar uma saída confortável. Mas, para mulheres com problemas de saúde, poderia ser a libertação de uma lista diária de tarefas, desgastantes. Para mulheres muito ativas, poderia ser a oportunidade para um salto na carreira. Para as mais calculistas, seria o momento para tentar um novo relacionamento, com um idoso rico, por exemplo. Para as mais pacatas, um tempo de sossego. Um tempo para fazer esta ou aquela tarefa, se apetecer, ou não fazer nada de nada, que ninguém teria nada a ver com isso. Para outras, poderia ser a porta para a liberdade, o que não significa de todo libertinagem.

Mas também as há que aproveitariam muito bem esse novo campo visual.

Aliás, uma mudança de paradigma daquilo que é aceite como casamento, só encontraria dificuldades iniciais, junto de quem se tinha preparado mentalmente para uma realidade muito diferente. Os novos casais unir-se-iam já com aquele pressuposto estabelecido: Ser-lhes-ia uma transição natural.

Perguntar-me-ão por onde anda o verdadeiro amor nesta minha teoria.

O verdadeiro amor não controla, não persegue, não agride (verbal ou fisicamente), respeita, apoia, é compreensivo.  Como diz no livro Love Story de Erich Segal: “Amar é nunca ter de pedir desculpa.”. Esse amor é tão raro, que quase não existe. Poderá ter existido no começo, mas a vida encarregou-se de o transmutar.

E depois, também existe algo que demorei muito para verificar, para compreender: amar e ser amado não implica ficar juntos, nem sequer implica manter o contacto. Essa ideia de que quando se ama, há um caminho único a percorrer, devendo as pessoas ficar juntas, é apenas uma versão douradinha, só presente em contos de fadas.

O que vence estas disputas não é o coração. Aqui e ali, é a cabeça pensante, as conveniências, as diferenças de estatuto, as incapacidades de juntar duas vidas com escolhos diferentes. Mas o que maior comando exerce são as hormonas sexuais. E aos cinquenta anos o mais comum é essas desgraçadas não estarem mesmo nada satisfeitas.

Pensem nisso.

publicado às 08:56


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