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Próteses Auditivas – esse mar de rosas

por Amarelinha, em 09.06.18

Quando ele comprou o aparelho auditivo, um só, embora a técnica tentasse vender para os dois ouvidos, muitos foram os testes, antes e depois, muita informação, muitas recomendações.

 

À esposa foi dito que servisse como observadora, para haver um feed-back que comparasse o tempo antes da correção auditiva e o tempo após a mesma. Poderiam ser necessárias afinações, por exemplo.

 

O rádio do carro foi um bom auxiliar, já que o som emitido é gerido por uma escala numérica. Antes do aparelho existir, a esposa necessitava de baixar do 9 para o 7, para que o barulho lhe fosse suportável. Depois do aparelho, essa situação deixou de existir. Fantástico!

 

O tempo passou. Um ano depois da existência do aparelho, o rádio já aparece outra vez no 9. A esposa, chatérrima, passa-o para o 7.

 

Hoje, atreveu-se a questionar os benefícios do aparelho. Houve logo “pé-de-vento”. Que quando anda sozinho no carro, gosta de ouvir o rádio alto, para perceber bem; que ela não tem nada a ver com o som quando ele anda sozinho; e que é uma exagerada. Enfim, uma espécie de maníaca do som baixo.

Ela recordou-lhe que a técnica a mandou ir observando, e que só estava a fazer isso.

 

Na verdade, a esposa sempre foi contra a compra do aparelho. Existia realmente uma certa perda de audição, mas não considerava ainda necessário corrigi-la. Era algo com que se convivia bem. Mas, dada a insistência dele, anuiu, impôs que escolhesse qualidade, e acompanhou-o durante todo o processo.

 

Guardou para si a convicção de que estes aparelhos devem ser usados por quem tem um problema grave de audição, e não por quem apresenta apenas alguma dificuldade.

 

Agora, o que lhe parece é que a existência do aparelho está a agravar a perda de audição. Ou seja, o ouvido está a demitir-se do seu trabalho natural. Haverá ajustes, provavelmente periódicos, que, imagina ela, irão colocar o aparelho a funcionar cada vez mais forte.

 

Intensifica-se a ideia de que estes aparelhos, por muito bons que sejam, devem ser aplicados com moderação. Mas, como são caríssimos, quem os vende impinge-os a qualquer incauto que passe próximo, com uma falta de ética desesperante.

 

Para remate:

No dia da compra do aparelho, a técnica insistiu, e fez testes à audição da esposa. Fá-los-á a todo e qualquer acompanhante, supõe-se. (Alarga o leque de possibilidades.)

Em face dos resultados, informou que deveria também comprar aparelho. Mas aí, não teve sorte nenhuma.

 

 

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publicado às 19:08



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