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Mobilidade, as reviravoltas da magana

por Amarelinha, em 27.05.22

A nova Carris Metropolitana tem como lema: “A Mobilidade Coletiva, mais simples, mais próxima e criada para o passageiro.”

Bem, ainda não vi os percursos e os horários (eles não mos deixaram ver), mas uma coisa já sei, o meu destino normal em Lisboa foi-se, finou-se. Agora, tenho que gramar com o terminal do Campo Grande, dê-me jeito, ou não. Haverá dias que sim, dias que não. Acabaram-me com a escolha. Obrigadinha, amigos!

Acredito que a mobilidade será mais simples, mais próxima, criada para mim? Não, não acredito. Já virei imensos frangos.

 

Sendo uma ex-trabalhadora dos transportes, ainda me lembro bem da Rodoviária Nacional e do famigerado Decreto-Lei nº 309/94 que a extinguiu, fazendo nascer uma miríade de filhotas privadas. E gerando um pacote de rescisões “amigáveis” e um autêntico inferno para os que ainda iam ficando. Optei por sair também.

Por estranho que pareça, o que mais me chocou foi negociar a rescisão com o meu amigo JM, que assumiu a sua posição de negociador com tal tenacidade, que parecia nunca nos termos conhecido e eu ser um inimigo a abater.

Tenho-me questionado ao longo dos anos se a última rescisão que ele negociou terá sido a dele. É que naquele seu desempenho ele trilhou a consideração que o pessoal nutria por ele. Se ficou, deve ter ficado muito sozinho.  

 

Será que este movimento inverso, que cria uma empresa enorme, assimilando uma porção das tais filhotas, vai gerar mais um pacote de rescisões?

Ver nascer este novo gigante, deixou-me verdadeiramente estupefacta.

publicado às 21:23

Hoje deixo uma crónica que li sobre a morte

por Amarelinha, em 26.05.22

https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/o-medo-que-a-vida-nos-faz-ter-da-morte

O medo que a vida nos faz ter da morte

A opinião de Patrícia Reis

As pessoas que amamos morrem. Para as crianças, inventamos céus e propósitos, redesenhados no desconhecido; desenhamos nas estrelas o pó que sustenta os nossos alentos, a nossa esperança de que a morte possa ter algum sentido, na certeza de que não tem, porque nos assusta e arrebata, cava em nós o pior da tristeza e despeja-nos no mais fundo lodo emocional que imaginamos ser possível. Até à próxima morte.

Um dos flagelos dos tempos materializa-se numa única palavra que apavora: cancro. Quantas pessoas morrem de cancro? Muitas, demasiadas, são números que vamos lendo. Quando o cancro nos entra em casa, no nosso território afectivo, um familiar de quem gostamos mesmo (existem aqueles que toleramos apenas), uma amiga especial, recapitulamos a nossa existência, a finitude de tudo isto e contabilizamos, com maior ou menor alarido, o medo que a vida nos faz ter da morte.

Ao longo dos anos, morreram-me (formulação absurda e, apesar dessa dimensão, tão portuguesa) várias pessoas que eu amava. Amava por serem as minhas pessoas, por terem as suas porras, mas serem donas de um coração com a bondade que me parece urgente, para combater a fragilidade dos dias. Dos dias bons e dos dias maus.

Um amigo morreu inesperadamente aos 44 anos de idade, deixou dois filhos e foi uma das maiores lições da minha existência. Afinal, percebi eu então, isto pode ser a qualquer momento. Afinal, a morte não é uma coisa do futuro, país lá longe, incorrupto pela memória, pelos exercícios de imaginação. Morreram-me outras pessoas, familiares mais velhos que não esquecerei, a minha avó a dizer que estava na forma do costume; o meu avô a dizer que eu era a menina mais feia do mundo e arredores, sempre a brincar; o meu tio-avô, nem consigo descrever. As minhas tias. Pessoas com quem tive relações de amizade que não resultaram para a vida, tiveram o seu tempo e, apesar disso, a sua morte foi um abalo.

O fim é uma realidade que nos ultrapassa. O castigo é o cenário anterior, a doença, o arrastar de decisões médicas, palavras e terminologias desconhecidas, previsões fantasiosas, negações e pensamentos mágicos.

Com a idade, perder alguém é mais do que uma surpresa, é mais do que uma superação da idade adulta, é uma traição da vida e é o eco do que está para vir. Hoje podia escrever sobre a Ucrânia, sobre a licença aprovada em Espanha, para dias de menstruação dolorosos, sobre a paridade salarial, que demorará mais de cem anos a chegar, mas não posso. Hoje não perdi ninguém, amanhã poderei perder. E é sobre isto que consigo escrever.”

 

publicado às 15:08

Gostos

por Amarelinha, em 25.05.22

Ando a ler o "Coro da Desordem". Não posso dizer que esteja a gostar muito, mas já destaquei dois poemas que cativaram a minha atenção. Vou aqui deixar o meu preferido.

Percorrendo aquele imenso e belo campo metafórico, surpreende-me a forma como o autor interpreta/lê as mulheres.  Não me é confortável aquele enfoque. Talvez o leitor masculino usufrua melhor daquela abordagem.

Posto isto, deixo o poema:

Nuno Júdice, Coro da Desordem, Tertúlia Pessoana

 

 

publicado às 18:30

Originalidade

por Amarelinha, em 23.05.22

 

Um poeta que conheço, com algum destaque entre os autores emergentes deste país, pelo menos muito melhor colocado do que eu, acaba de lançar um livro, de cuja capa nos sorri uma estilizada comparsa da Mona Lisa. Estranhei.

Levantei-me e fui à sala, olhar para a gravura que comprei no Louvre. Há diferenças. Além de lhe aplicarem um filtro que deu um pouco mais de cor, parecem ter aproximado o cenário, dando mais definição aos seus elementos, como por exemplo à água, e aproveitaram para emagrecer a senhora.

Para quê? Não imagino.

As capas dos meus livros são todas fruto de ideia minha. Nos dois primeiros, foram as editoras que trabalharam essa ideia, mas nos seguintes fui eu que criei as capas de raiz. Utilizo fotografias que tiro e componho eu o conjunto. Tenho para editar o meu sexto livro (poesia) e o meu sétimo livro (contos). As capas também estão prontas. Desenvolvo-as ao mesmo tempo que coloco conteúdos nos livros.

É o meu método.

A capa de um livro pode ser tudo. Convém-lhe é que seja original.

 

publicado às 15:31

Revisitei a Harriet

por Amarelinha, em 22.05.22

 

Ontem, acabei de ler, pela segunda vez, o livro “Esta é a tua vida, Harriet Chance!”, de Jonathan Evison.

Revisitando a vida da idosa, o escritor vai-nos mostrando que os acontecimentos nem sempre são o que parecem. E que, afinal, a vida dela não foi tão perfeita como ela a julgava, sendo que todas as pessoas que a rodearam lhe falharam, de uma maneira ou de outra.

As revelações vão sendo feitas durante um cruzeiro ao Alasca, que o marido (entretanto falecido) deixara pago. Comprara-o com a intenção de viajar com a amante. Um caso de trinta anos, ocultado com muito sucesso. A senhora em questão era a melhor amiga da esposa, mas só se tornara amiga dela para poder ser visita lá de casa e ter mais livre acesso ao amante.

A mulher embarcou ignorante destes factos.

Enquanto a viagem prossegue, a senhora vai tomando conhecimento de mais e mais pormenores que desconhecia, sobre episódios vários da sua vida. Racionaliza como pode, decidida a aproveitar a vida que lhe resta. Em vão. Completamente assoberbada, morre durante a viagem de regresso.

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Geralmente, eu não releio livros. Há tanto que ler, para quê repetir? Mas a memória que guardava deste levou-me a voltar a abri-lo. Foi um erro. Preferia a primeira interpretação e o que tinha retido dela. A segunda, apanhou-me talvez com outra disposição de espírito, desvirtuou completamente.

Desta vez, o livro vai seguir o caminho de muitos outros: vai viajar para encontrar novos donos. Já não terá lugar na minha estante. Achará outra.

Reler só me compensa, se for poesia. Especialmente se eu tiver deixado pestaninhas nos poemas preferidos. A poesia nunca sai de cima da minha banca de cabeceira. A dos escritores de renome, e a minha. É reconfortante ter os meus próprios livros em boa companhia. Pelo menos ali…

É triste a insignificância dos números das minhas vendas.

Diria mesmo que escrevo cada vez menos, porque não há um destino favorável para o que produzo.

Mas leio. Leio. Leio. Vou dilatando as vendas dos outros. Há uma certa injustiça nisso.

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publicado às 12:42

Xi! Quem me gaba sardinhas…

por Amarelinha, em 21.05.22

 

O homem andava com saudades de sardinhas fritas com arroz de tomate. Ontem saiu para ir à farmácia e voltou com as ditas. Não. Não as comprou na farmácia. Eh! Eh!

Hoje fez o almoço. Que eu comi, comi. Mas não gostei.

Não percebo o encanto das pessoas com as sardinhas, nem mesmo as assadas. A pessoa perde-se no meio daquelas espinhas todas. Quanto mais não vale um belo de um carapauzito.

Fiquei a pensar nos turistas e nas muitas vezes que os vejo a comer sardinhas. Gostarão? Ou é apenas o experimentar de um prato típico, e nunca mais pedem aquilo?

Para mim, a forma ideal de as consumir é de lata, com molho de tomate. E ainda assim, só de longe a longe.

                             Sardinha.jpg

publicado às 15:36

Uau! Chegou ao fim. Mas não…

por Amarelinha, em 21.05.22

Hoje é o meu sétimo dia de isolamento. Amanhã já posso sair para caminhar. Se for capaz.

Há muitos sortudos que passam pela COVID-19, sem que ela passe por eles. Não têm sintomas. Eu tive uma gripalhada valente e perdi paladar e olfato. Resta-me um entupimento das vias aéreas superiores, e falta de força (física e anímica). Mal começo uma tarefa qualquer, fico num desespero de falta de paciência. Até me dá enjoo.

Para acrescentar mais um pontinho ao aborrecimento, o meu marido (com COVID também e a sua versão de gripalhada), neste período perdeu dois quilos e tal. Já eu engordei cem gramas. É pouco, eu sei, mas eu é que precisava de perder os tais dois quilos. Organismos diferentes. Resultados diferentes.

Analisando o que foi a COVID nos meus familiares, cheguei à conclusão de que a infeção ataca aquilo que são os nossos pontos fracos, sendo por isso diferente em cada pessoa.

Já sem aquela esperança de que as vacinas nos evitassem contrair o vírus, e ainda que esteja consciente de que elas evitam que fiquemos gravemente doentes, a hipótese muito palpável de que haja repetições, desestabiliza-me. Há ainda um caminho muito longo a fazer. A normalidade é ainda impossível.

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E com a guerra na Ucrânia, e as novas doenças virais que já por aí andam (varíola dos macacos e hepatite infantil), suspeito que quando voltarmos à normalidade, já não a reconheceremos. Como a água do rio, nem a normalidade, nem nós, seremos já os mesmos. 

 

publicado às 11:39

Tempo Livre

por Amarelinha, em 19.05.22

Hoje em dia, tempo livre é coisa que não me falta. Falta-me é já a paciência para muita coisa.

Acabei de ler há minutos o jornal do INATEL – Tempo Livre –. Fica-me sempre aquele triste sentir de que o jornal não foi escrito para pessoas como eu, mas sim para uma elite muito fina e muito culta, que, claramente, vive num mundo diferente. Uma minoria no universo dos sócios.

Eu gostaria que o “tempo Livre” fosse capaz de me distrair naqueles momentos em que o manuseio, e até que me desse vontade de recortar uns artigos, para os guardar. Não acontece.

Mas que deveriam publicar para chegar a mim e a todos aqueles que me são iguais, ou ainda mais humildes, culturalmente falando? Quem põe defeitos, deve apresentar algumas opções.

Poderia apresentar alguns artigos de opinião, sobre temas atuais. Estimular a síntese dos dados apreendidos de várias fontes. Abrir mentes.

Poderia continuar a sugerir espetáculos, filmes e livros, dando ênfase ao que se passa no Teatro do Inatel, mas de forma mais abrangente, para chegar a faixas mais extensas de leitores.

Poderia apostar mais nos conteúdos de fruição imediata, de que são exemplo as suas palavras cruzadas e a sua crónica de Mário Zambujal. Mais páginas de jogos. Mais crónicas. Mais desafios à criatividade de quem lê.

Costumo ir de página em página lendo “As Gordas” sem me deter, até chegar à crónica de Mário Zambujal, a que não resisto, mas de que saio amiúde com uma careta. É óbvio que aquele paradigma já está esgotado e que o próprio Zambujal ficaria agradecido se o deixassem escrever algo diferente, algo que conseguisse motivá-lo. Há tantas formas de fazer humor… e precisamos tanto dele.

Entendo que a filosofia do jornal incluirá o pressuposto de que tem que ser isento de tendências, sejam políticas, éticas ou outras. Mas uma excessiva imparcialidade acarreta sempre o risco de se navegar em terrenos de completa improficuidade.

                                                  Ler o “Tempo Livre” sabe a pouco!

 

 

 

publicado às 12:11

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