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Leituras minhas

por Amarelinha, em 07.09.22

É comum eu ler dois livros ao mesmo tempo.

Prosa: “A amante”, de James Patterson

Gostei. Foi o primeiro livro, deste senhor, que eu li. Não será o último.

Ressuscitei aquela ânsia de ler, aquele aproveitar qualquer tempinho livre. Tirou-me de um tédio que se instalara. Uma rotina básica. Acordou-me.

Poesia: “Poemas Escolhidos” de Pedro Mexia.

Gosto de ler poesia antes de dormir. É ótimo. Acaba-se um poema. Fecha-se o livro. No dia seguinte um poema diferente esperar-nos-á.

Mas com este livro tive de mudar de estratégia. Exige maior atenção. Dorminhoca, às vezes não entendia o que lia. Tinha que recuar umas páginas, quando recomeçava a ler.

Coloquei apenas três pestaninhas coloridas, o que é pouco. Causou-me alguma estranheza que este conjunto, o seja, por escolha feita pelo próprio escritor. Escapou-me a razão da sua seleção.

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Confesso que me dói ler poesia de pessoas bem-sucedidas nestes terrenos da literatura. Dói-me porque me sinto injustiçada. Sinto que lhes foram abertas todas as portas, mas que elas não abrem nenhuma aos que vêm a seguir.

Enviei um livro meu à Tinta da China, tentando que me ajudassem a publicá-lo. Foi parar às mãos de Pedro Mexia. (Foi o que me responderam.) Mas parece ter caído na gaveta dos fundos, ou num caixote de lixo. Nem resposta, nem opinião sobre o conteúdo. Nada!

A atenção dada ao que ele escreve, é uma via de sentido único.

Mexia.jpg

publicado às 17:55

Que se passa?

por Amarelinha, em 04.09.22

A antiga Clínica de Santo António, em Sacavém, era um corrupio de gente. Uma clientela segura, e satisfeita com os serviços, que fazia dela um sucesso.

Talvez por isso, foi comprada pelo grupo Lusíadas.

É certo que a pandemia de COVID-19 gerou um histerismo geral, que traz as salas de espera dos hospitais públicos a ¼ do que era costume, as dos Centros de Saúde nem a isso chegam, e os doentes, que ainda continuam vivos, a maioria felizmente, esmifram-se por uma consulta médica.

O que estará acontecendo com os clientes da antiga Clínica de Santo António? É que ali não os vejo.

Haverá menos acordos? Haverá menos médicos? 

É certo que as marcações com a secretária digital “Luzzi” são tudo menos fáceis. Faz o percurso todo na sua voz robótica e, já no fim, costuma abortar a marcação. Estou fartinha dela até às orelhas. 

Mas ver a sala de espera nas consultas, da Clínica dos Lusíadas em Sacavém, assim, deserta (quando prestei atenção a isso, estávamos cinco pessoas), leva-me a crer que o objetivo será encerrá-la.

Se não é, por favor, tornem aquilo mais pessoal, mais acolhedor. Mais como era antigamente.

 

 

 

publicado às 11:31

Só quem pariu é que sabe

por Amarelinha, em 26.08.22

Só quem pariu é que sabe o que sofre uma mulher em trabalho de parto, levada de hospital em hospital, por 150 km.

E não há vergonha na cara, nem dos políticos, nem dos gestores hospitalares, nem dos profissionais (vários) que tinham obrigação de cuidar dela.

Não há vergonha, nem consciência, nem misericórdia, nem a merda do juramento de Hipócrates.

Aliás, hipocrisias diversas fazem com que parir um filho seja, em pleno séc. XXI, a mesma violência animalesca que era na Idade da Pedra.

Mas adiante.

Por onde andam os médicos que nos atendiam nos Centros de Saúde e nos Hospitais ANTES da COVID-19? Trabalham? Descansam? Fazem camisolinhas de tricot? É que as consultas não são feitas. Nunca mais se retomou o sistema de trabalho anterior, que já era ruinzinho, como se sabe.

Vai havendo receituário, passado sem nos verem, e já é um grande “favor” que nos fazem.

Em que raio de atividades se ocupam eles hoje em dia, se não nos recebem em consulta, se nem sequer os administrativos nos atendem pelo telefone? Parecem querer é que vamos todos morrer, longe.

E depois queixam-se que aparece muita gente nas urgências hospitalares com incómodos que não são dignos de ali estar. Oh, que maçada! Imaginemos uma ridícula conjuntivite. Que é que é suposto o paciente fazer? Lavar os olhos com aguinha de rosas? É uma coisinha pouca, para os médicos, mas para quem a sofre incomoda que se farta. E é só um exemplo. Há-os de todos os tipos e gravidades.

Mas nos privados a coisa também tem que se lhe diga.

A minha dermatologista XPTO, que antes me via sinais com lupa, agora olha para mim lá do outro lado da secretária. Por isso, receitou-me pomada para o eczema, quando o que eu tinha era herpes. Estou-lhe mesmo grata…

O meu oftalmologista, também XPTO, até é tratado por professor, tem um tal medo de se aproximar dos doentes, que ver a graduação das lentes de correção é digno de ser filmado. Mas era um filme com duração de segundos. E não consegue disfarçar a sua enorme contrariedade. Ele está lá para assuntos mais elevados.

Na prestação de cuidados de saúde, o país regressou aos anos XXX do século passado.

As mortes estão a ultrapassar os números habituais? Claro. Como não?

Nem dá para fazermos de conta que só morrem velhos, porque é mentira.

Um país que reduziu a morte de crianças e se tornou, por isso, num exemplo, agora vê essa mortalidade aumentar. E como já ninguém junta sete filhos à mesa, é coisa para dar muito que pensar.

É triste. É criminoso!

publicado às 15:04

Faltam-me quatro páginas para acabar o livro. Interrompi para ir cozinhar a refeição, e agora poderia tê-lo retomado, mas não há urgência. Há que valorizar a última "garfada".

"O Caminho Imperfeito" é um livro a não perder. E eu, quase o perdia! Ao ler o seu começo, choquei-me. Não queria ler aquilo. Acrescentei-o à lista da biblioteca pessoal, em base de dados Excel, e arrumei-o na estante.

Um mês depois, mais propriamente depois de acabar de ler "Regresso a Casa", do mesmo autor, e não podendo acreditar que o livro assentasse todo sobre um tema tão desagradável, fui buscá-lo. Fiz bem.

Porquê aquele começo tenebroso? Talvez porque o choque do autor, se impôs. Talvez a sua Tailândia pessoal se tenha chocado também com a possibilidade real que aquele episódio contém. 

As muitas histórias por onde os nossos olhos deslizam, alcançam-nos e levam-nos pela mão de página em página.

Deixo um trecho da página 184.  (Quantas vezes eu própria me perguntei quem sou?)

Caminho imperfeito.jpg

 

 

publicado às 16:25

Leituras: José Luís Peixoto

por Amarelinha, em 13.08.22

Acabei de ler o livro de poemas de José Luis Peixoto, "Regresso a Casa".

Eu não considero que o senhor seja um poeta, mas que faz alguns poemas maravilhosos é bem verdade.

O que aprecio nele, não é a forma como redige em português, é a forma e sensibilidade do seu pensamento. Além de ser um muito bom contador de histórias, é também uma pessoa que vê para além do óbvio, que capta a essência dos momentos e das coisas.

Peixoto 2.jpg Peixoto 5.jpg

 

 

publicado às 15:13

Leituras infrutíferas

por Amarelinha, em 09.08.22

Leio. E enquanto o faço vou colocando pestaninhas coloridas nos trechos que me interessaram mais. É muito mau sinal chegar ao fim da leitura com uma única e solitária pestana colorida. Foi o caso do livro de poesia "Nómada", de João Luís Barreto Guimarães. Já o coloquei em outras mãos, procurando que o seu valor seja encontrado. Deixo aqui o único poema que me interessou.

Único poema interessante do Nómada.jpg   

Capa livro Nõmada.jpg

 

publicado às 15:44

Inteira

por Amarelinha, em 09.08.22

Não sei como se sentem as outras pessoas. Neste tempos presentes, eu sinto que parece que todos emalucaram, e que eu estou velha demais para suportar tanto. É desde a guerra na Ucrânia, a crise na Ilha Formosa, a velha questão de Israel/Palestina e outras, passando pela varíola dos macacos, restos da COVID-19, até à minha vizinha de cima (antes tão cordial e inteligente) e que agora sacode os seus tapetes porcos, para cima da minha roupa lavada, a secar no estendal.

Que aconteceu para tanta loucura?

Posto isto, ler o texto abaixo (que deixo bem identificado) foi, como dizer, apaziguamento.

 

Topo do post dela.jpg

"O meu peito abriu oficialmente a época dos despejos. Os sonhos voaram alto e encontraram quem os tratasse melhor. As rugas ensopadas em creme hidratante, pediram clemência. O telefone sempre ligado, optou pelo silêncio. O estranho número que me dá a idade, instalou-se na alma. A indignada solidão de porta e cortinas fechadas, fez efeito. As horas, no relógio da cozinha, pararam. Não lhe dei corda, perdi o interesse em tudo o que se mova depois das cinco para as cinco, como se lhe oferecesse um merecido descanso. E nem sei se parou assim à tarde ou de madrugada. Como eu, que não sei que mais hei-de fazer para que os dias parem para me dar sossego e mais tarde corda outra vez. Oiço as histórias dos outros, finjo empatia, coço os pés, esboço sorrisos. Ninguém me vê e contudo, há considerações sobre o meu aspecto. Há dias em que fujo e me misturo com as gentes que se aglomeram no comboio. Peço-lhes boleia nas suas vidas, nos seus ares de graça, nos seus dialectos, e sinto-me estrangeira. Sem mapa, sem guia. Como se não tivesse percebido que isto é um subúrbio e não o centro da cidade. Como se me guiassem as águas do Tejo, ainda. E mergulhasse nelas, por acreditá-las salgadas e longe do meu sofrimento. As estações terminais fascinam-me e por elas deambulo quando penso em regressar. Às vezes, não há retorno daquilo que somos, mesmo que possuamos um passe social. O terror da matéria que nos une é que um dia se esfume, algures num crematório longe da vista, longe do coração. Levando a cinzas os olhos e o coração e tudo o resto. Tenho pena do fim, mas também nunca solicitei o inicio. Talvez seja esta a única taluda que realmente nos saia: uma coisa de graça que nos é dada à nascença. E se tudo se resume a isto, com nuances de mais-ou-menos felicidade, o que nos sobra afinal? Levar os dedos à goela e esperar que o vómito saia. Tentar a morte com laranjas à noite e pepinos em Agosto. Experimentar a intoxicação através de cigarros proibidos e indigestas mistelas, tomando nota das vezes em que os outros nos desiludiram só mais um bocadinho. Esperar ser adulta, tomar-lhe as rédeas e perceber que há sempre alguém à porta a quem pedir licença. Ficar na cama, muito quieta, tendo sonhos assustadores ou apenas pesadelos. Ligar a luz da mesa de cabeceira, encher o quarto de tons de vermelho, enroscar-me um pouco mais nos lençóis, nas almofadas, nos seres que espalham pêlos pela casa. Fingir que esta não sou eu, que eu sou outra, que corre, que foge, que grita, que diz que se foda esta merda toda. Arfante me resigno. Arfante continuo viva."

Obrigada à autora deste texto.

 

publicado às 14:01

Formas de expressão

por Amarelinha, em 31.07.22

Abri uma lata de grão para acompanhar o bacalhau com batatas. A graça com que o rótulo foi concebido não me deixou indiferente. É de facto conhecer o alentejo e os alentejanos. É reconhecer a qualidade daquele grão pequenino, que tantas vezes comi, em pequena. É o reconhecimento daquele saber estar e saber fazer.

Não resisti a fazer publicidade à Compal, às suas escolhas, e ao seu bom gosto.

IMG_20220729_111803.jpg

publicado às 14:24


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