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Gostei

por Amarelinha, em 21.06.18

É bonita esta imagem com que a Google nos brindou hoje.

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publicado às 16:42

Tesourinhos deprimentes / piroseiras

por Amarelinha, em 19.06.18

Tesourinho nº 1

 

Sentada na cafetaria, com as compras de supermercado no chão, ali ao lado, aguarda alguém. Ele chega, com mais compras do supermercado. Acerca-se. Diz qualquer coisa. Ela mete a mão ao saco e tira uma embalagem de gel de banho. Abre. Dá a cheirar ao homem, dizendo:

- Cheira muito bem, não cheira.

Do lado oposto eu, que presenciei a cena, fiquei a pensar que a qualidade do creme não pode ser avaliada pelo cheiro.

 

A mania dos cheiros. Tudo cheira. (Até as borrachas de apagar escrita, cheiram.) Cheiros intensos, insuportáveis. Cabelos a cheirar a fruta, morango, coco, alperce. Um cheiro na cabeça, outro no sovaco, outro nas roupas. Mais o cheiro do mau hálito, ou do tabaco, ou das pastilhas elásticas. Muito cheira o pessoal! Irra!

 

E vem a propósito falar daquele reclame ridículo do detergente SURF. Como é que o homem se dispôs a fazer aquela figura? Dinheiro, claro. Mas, será que as pessoas nunca dizem NÃO?

 

 

Tesourinho nº 2

 

A empregada da limpeza entra e eu digo: - Ena, que azulinha que eu venho, hoje!

Brinquei com a senhora. É meia dúzia de anos mais nova que eu, bem-humorada, dá para brincar.

 

O tesourinho chegou depois pela mão da minha mãe. Ora, o tal vestidinho azul celeste, foi a minha mãe que lho deu. Era dela, quando era mais nova. Vestiu-o inúmeras vezes, segundo disse. Nem me lembro de lho ver.

Agora ofereceu-o de prenda de aniversário, à empregada.

Prenda de aniversário?

 

Eu não era capaz de o vestir. Aquilo é roupinha 100% ao estilo da minha mãe. Eu não sou uma senhorinha compostinha. (Hoje fui ao dentista com a roupa de desporto. Porque fui direta do ginásio, para a clínica, e aproveitei para fazer caminhada na ida e no regresso. Se a minha mãe visse, dava-lhe um treco.)

 

Disse-me que a mulher adorou o vestido.

A empregada disse-me que o vestido é rigorosamente do feitio do vestido que ela usou no dia em que fez exame da quarta classe. Como se isso fosse bom sinal.

 

Eu recuso sistematicamente herdar roupa da minha mãe. Por isso ela fica felicíssima por a empregada estar disposta a usar o que lhe dá.

Mas é estranho. É que a pessoa nem é uma qualquer coitadinha, humilde e sem graça. Ela é uma pessoa toda desempoada, que compra coisas boas e modernas, como os sapatos que levava ontem, a condizer com o vestido.

Não percebo a dinâmica daquelas duas.

 

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publicado às 15:55

Anónima, eu?

por Amarelinha, em 18.06.18

Tinha comentários no Blog, e respondi-lhes.

Surpresa, surpresa, esses meus comentários apareceram como anónimos.

Ponho estranho, nisto.

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publicado às 22:35

Pensar, um conceito em desuso

por Amarelinha, em 18.06.18

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publicado às 22:24

“A dança da Chuva”

por Amarelinha, em 12.06.18

Não é, evidentemente, uma dança para fazer chover. Não possuo dons desses. Mas é inspirada nas danças de felicidade, em África, aquando das primeiras chuvas.

Reservo essa minha dança (umas voltinhas rodadas, com os braços no ar) para ocasiões em que obtive uma qualquer vitória, impensável, de tão difícil que se previa consegui-la. Uma vitória surpreendente. Algo ao estilo “Meti uma lança em África”.

A penúltima teve a ver com um diagnóstico médico à minha mãe. (Parecia que ninguém atinava com aquilo.) A última teve a ver com prémios literários.

Todos nós temos direito a umas quantas vitórias dessas. Mas são tão raras, que se justifica fazer “a dança da chuva”. 1.png

De momento, preciso de duas ou três “lanças em África”, para sair da situação em que estou: completamente “entalada” entre os problemas e resistências alheios. A família dá mesmo muito trabalho.

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publicado às 09:56

Entretenimento

por Amarelinha, em 11.06.18

Quando o pessoal entra na reforma, precisa de ser entretido. E, de preferência, com coisas úteis. No concelho onde moro, por preços módicos devido à intervenção da Câmara Municipal, dispomos de hidroginástica, ginástica, e universidade sénior.

 

As matrículas da US, para o próximo ano letivo, começaram hoje. O período disponibilizado prolonga-se por duas semanas, mas todos os alunos aparecem no primeiro dia. É um autêntico “estoiro da boiada”. Há senhas, há horas perdidas, e chega a haver arrufos.

 

A fobia por ser dos primeiros, tem a ver com a escolha das disciplinas, o medo de já não conseguirem vaga para uma ou outra. Como se ser entretido com uma disciplina de segunda escolha fosse um drama. E seria um drama porquê? Porque há os grupinhos, e grupinhos que não gostam de outros grupinhos. Porque há professores mais queridos que outros. E nas disciplinas desses mais queridos, as mesmas pessoas andam anos e anos seguidos, até repetindo matéria. De tal forma que o regulamento teve que ter uma alínea que regula o número de anos possíveis, em repetição.

 

Eu também lá ando. Movimento-me entre disciplinas, variando bastante. Sou alguém que passa nos corredores, e só alguns conhecem, por que pouco falo, e falo com poucas pessoas. Sou algo esquiva. Falto bastante às aulas. E se algum acontecimento não me agradar, não me manifesto. Ausento-me e pronto.

 

Foi o caso das aulas de Português. Pelo facto de eu escrever, tive um papel de destaque na turma. Criei e geri um trabalho coletivo que durou um ano inteiro. Na apresentação do trabalho, no fim do ano, houve penas (de quem não colaborou), mas também invejas. No ano seguinte, as invejas ainda persistiam. Ausentei-me ano e meio.

 

Este ano não me inscrevi em Português. Até por que decidi deixar de editar, e de frequentar os eventos do meio literário. Agora não me faz sentido. Vou “brincar” com outras coisas. Vamos ver como corre.

 

Posto isto, considero que a velhada se comporta como garotagem e, ali, há um exagero de velhos por metro quadrado.

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publicado às 21:46

A questão da finitude

por Amarelinha, em 10.06.18

As minhas paredes ostentam vários quadros pintados pela minha mãe. Com uma habilidade de mãos invulgar, passou-lhe pela cabeça, quando tinha a minha idade, que iria ocupar os seus tempos livres a pintar. Arranjou uma mestra, e teve aulas durante vários anos.

Os quadros que pintou são lindos. Mas têm um senão: são cópias de quadros existentes.

Está a chegar a uma idade em que as mãos lhe tremem e os olhos estão cansados. Deixou de pintar.

Hoje, andou a dar voltas ao muito material que ainda existe lá em casa, e ocorreu-lhe que com os apontamentos que tem, os desenhos lindos que tem, e os materiais que tem, qualquer pessoa poderia começar a pintar. Logo, EU, poderia começar a pintar. Aliás, em vez de andar a escrever livros que ninguém quer comprar, poderia pintar… (e seguir as suas pormenorizadas, e inevitáveis, orientações e admoestações). Irra!

Ia-me dando uma coisinha má.

Respondi-lhe que eu não tenho habilidade de mãos.

E não é mentira nenhuma. Até a conduzir o carro sou uma nulidade, porque sou algo descoordenada. Sou excelente numas coisas, regular noutras, e mesmo ruim em algumas outras. Pintar é uma dessas.

Todos somos assim. Bons nisto, ruins naquilo. Ninguém é perfeito.

 

Mas este episódio recordou-me um outro. O meu irmão morreu de cirrose hepática, por consumo excessivo de álcool. E, sobretudo, por ter feito vários tratamentos de desintoxicação, que não o impediram de recomeçar a beber. A morte dele não foi propriamente surpresa para ninguém. Sabia-se que era para depressa. Não se sabia quando, claro.

Ele era desenhador técnico. A certa altura a minha mãe quis que o meu filho fosse passar os fins-de-semana a aprender com o tio aquela profissão, porque o tio tinha muito para ensinar. Queria passar o legado. Foi um choque para mim. Como contornar, sem ferir?

Livrei o meu filho de tal obrigação. O rapaz andava na universidade a tirar o seu curso, que nada tinha a ver com desenho técnico. Ia lá agora dar um tal uso aos seus exíguos fins-de-semana. Exausto já ele andava.

 

Não entendo estas necessidades.

Eu trabalhei quarenta e quatro anos. Algumas vezes, fiz a diferença. Mas troquei bastante de emprego e, que se me conste, nunca nada encerrou por causa da falta que eu lá fiz. Enquanto estive, estive a cem por cento. Quando deixei de estar, deixei mesmo. Não volto aonde trabalhei. Não contacto com ex-colegas. Não tenho amizades nesse contexto. Fim.

Eu não sinto que tenha qualquer legado a passar. Haverá alguma coisa importante que eu saiba, e que não esteja consultável na internet? Duvido.

 

O meu legado, se alguém quiser um dia dar-lhe atenção, é a minha escrita. E essa é tão pessoal, que não se transmite, nem se ensina. Cada pessoa tem a sua sensibilidade e o seu estilo próprios.

 

Estou em paz com a noção de que a minha vida, como a de todos, é finita. Não tenho que apressar-me, nem desacelerar. Tão certa e natural como a vida, a morte encontrar-me-á um dia. Nesse momento, só eu deixarei de existir. Vela que um sopro apagou.

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publicado às 22:45

Coisas de rapazes

por Amarelinha, em 10.06.18

O meu neto de seis anos gosta muito de banda desenhada. Levei-lhe três revistas da Disney. Devolveu-me logo uma, com um perentório "Não quero esta."

Era da turma da Mónica.

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É este o comportamento normal relativamente a tudo que lhe pareça "de menina".

OK. Ando eu a ler a "Mónica". Eu leio todas. Não sou esquisita.

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publicado às 11:39


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