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Ainda não compreendemos

por Amarelinha, em 19.11.17

Fala-se do quanto temos errado na gestão e uso dos recursos do planeta Terra.

Fala-se tanto e compreende-se tão pouco.

Errámos, é mais do que certo.

Temos pouca margem de manobra e, também, pouca esperança de que consigamos recompor as coisas.

Fala-se em "o mundo acabar-se" por ação do homem.

 

O mundo não acabará. O que provavelmente acabará é o próprio homem. E isso o que tem de novo? Não acabaram outras espécies? Não acabou a era dos dinossaurios?

 

Depois de extinto o homem, a terra prosseguirá, e outras vidas, de tipos diferentes, povoá-la-ão.

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publicado às 21:51

Como será ter cem anos?

por Amarelinha, em 05.11.17

A minha vida vive-me, independentemente do que possam ser os meus interesses. Vivo, no sentido de que estou viva, e não me foi permitido evitá-lo. Não me peçam que goste.

Se a minha vida, com sessenta e um anos é já uma vida sem objetivos, uma vida improdutiva*, uma vida com pouquíssimo sentido, que sentido pode ter a vida de alguém que já passou os cem anos?

Que gosto pode haver em viver fraco e com doenças, pelo menos as relacionadas ao desgaste de tantos anos, tendo visto desaparecer todas as pessoas que lhe eram importantes, até mesmo alguns filhos?

Com que se ocupa a mente de um centenário?

O mundo mudou de forma drástica durante os meus sessenta e um anos de vida.

A mudança presenciada por um centenário deve ser insuportável e alarmante. Como processam isso?

Como serão ainda capazes de se deixar contagiar pelo que os rodeia?

 Pessoalmente, eu não gostaria mesmo nada de chegar aos cem anos.

 

(*) Resta-me a lida doméstica, que odeio, e a escrita que faço. O país não anda para a frente com tais atividades. Tornei-me uma espécie de parasita. Mas quem me daria hoje algum trabalho?

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publicado às 11:23

Ter, ou não ter filhos

por Amarelinha, em 04.10.17

A ideia de que os casais têm filhos, enraíza-se no nosso querer desde tenra idade. Nem nos questionamos se queremos ou não ter filhos. Achamos que ter filhos é mostrar ao mundo que somos normais. E, numa quase inconsciência da demagogia que deglutimos, todos queremos brincar com os bonequinhos, agora vivos, tal e qual como apreendemos a fazer na nossa infância.

 

Os bonequinhos crescem e tornam-se adultos como nós e, por sua vez, irão fazer bonequinhos seus, que terão outros bonequinhos.

 

Já fui a filha, a irmã, a mãe, a tia, a avó, a tia-avó, para só citar os nascimentos que mais interessam. Se me descuidar por cá, serei bisavó também.

 

Chegada aqui (aos sessenta e um anos), entendo que as pessoas não precisam de ter filhos. Não precisam. E não precisam de passar dificuldades diversas, especialmente económicas, para cuidá-los como deve ser.

 

É o Estado que precisa das crianças. Precisa de Cidadãos novos. Ora então, porque não suporta o Estado as despesas relativas a essa sua necessidade?

Para os pais, o esforço de cuidar, o cansaço que lhe está acessório, todo um conjunto de responsabilidades e ralações, já seriam custo bastante.

 

As crianças são maravilhosas, mas, tê-las e levá-las até adultas, não é nada fácil.

E neste tempo de "escravatura" laboral é muito pior do que quando eu criei o meu filho.

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publicado às 21:53

O papão da violência contra idosos

por Amarelinha, em 23.07.17

Há dois dias apareceu na televisão o caso de um idoso que andava há vários dias a dormir no carro, à porta de casa, porque o filho o pôs na rua. Nos minutos que se seguiram ficámos a saber que ele sempre tinha batido na mulher, e continuava a bater, embora há muito tenham passado dos oitenta anos. O filho não conseguiu aguentar mais aquele suplício e explodiu como pôde. Alguém tem 100% de razão naquela história? Não. Não tem.

 

Muito se fala de maus tratos a idosos.

Pega-se no assunto com pinças. “Ai coitadinhos dos idosos”.

Coitadinhos dos idosos que são bonzinhos, e que não merecem sofrer um fim de vida sem paz, nem conforto.

Mas estamos a esquecer-nos que quem foi uma ruim pessoa desde sempre, não é por ser idosa que de repente se torna “santa”. Muito pelo contrário. Os maus feitios e maus vícios agravam-se.

 

Para além disso, um idoso com 80 anos, tem filhos com 60 anos. Se tiver 90 anos, tem filhos com 70 anos. Esses filhos já estão exaustos de décadas de problemas, sempre iguais. Já não têm como continuar a fingir que dão conta dos problemas dos pais. Sentem-se como se a sua própria vida lhes fosse roubada. Sentem-se vítimas dos pais, e da legislação que os agarra a obrigações impossíveis.

Há muito que o número de filhos por casal diminuiu. Hoje, haver cinco ou seis filhos para dividirem entre si os cuidados aos pais, começa a rarear. Toda a carga assenta sobre dois, ou um só filho. E a carga é grande.

 

O que está errado, é os IDOSOS serem cuidados pelos seus descendentes idosos também, aos quais não respeitam.

“Mais respeito, porque eu sou tua mãe” é o nome de uma peça de teatro recente. É uma comédia. Mas a vida desses filhos idosos, a cuidar de pais IDOSOS, é mais do tipo dramático.

 

Lares há muitos. A estadia na maior parte deles custa acima de 1000€. Quem, entre o povo, é que tem pensões acima dos 1000€?

As próprias IPSS’s fazem preços entre 800€ e 970€. E têm listas de espera!

As Misericórdias têm lares. São entidades privadas. (Vá-se lá entender isto.) Também andam pelos 800€, 970€.

Entrar para um lar comparticipado pela Segurança Social é quase milagre. Fica a família muito contentinha porque o idoso entrará pagando 90% da sua pensão. Ótimo! Resta dinheiro para os remédios.

A seguir vem aquele balde de água fria, os descendentes têm que pagar 200 ou 300€ para completar o que se convencionou ser o custo real. Ou seja: a Segurança Social paga X, o utente paga Y, a família pagará K. Logo: X+Y+K = ao que o lar tem direito a receber.

 

Posto isto, pobre está lixado.

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publicado às 16:24

Ai a Eutanásia

por Amarelinha, em 19.07.17

 

Muita alarmada a D. Micas dizia que vai haver Eutanásia em Portugal. Até apostava comigo que é para breve.

 

Alongou-se a falar dos casos que a reportagem que ela viu, tinha apresentado. Até falou da Holanda em que, em 2014, teria havido 5000 casos de morte por Eutanásia. E que no ano passado terão sido muitos mais. De nada valeu dizer-lhe que muitos desses seriam de pessoas cujos países de origem não autorizam a Eutanásia.

 

Dizia eu que a Eutanásia é um direito e que só a própria pessoa pode decidir, ou não, recorrer a ela.

Exaltou-se. Não é um direito, é um crime. A vida só Deus a tira. É uma cobardia. As pessoas têm que ter coragem para aguentar o sofrimento que lhes coube. E se não sofrerem cá o resto que lhes falta, o espírito vai sofrer eternamente no fogo do Inferno.

 

Mas foi quando eu disse que ela pensava assim, por que era o que a religião dela mandava, mas que muita gente não pensa como ela, que o conceito se aclarou:

Segundo a D. Micas, não deveria haver gente a pensar de outra maneira.

(Juro que esta conversa é a transcrição exata do que foi falado. Alterei o nome da pessoa que assim me falou.)

Sempre aquela ideia subjacente de que a eutanásia é uma autorização para matar os velhinhos todos. Assim, não vamos lá!

 

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publicado às 11:32

Testamento Vital

por Amarelinha, em 13.07.17

A Lei saíu há anos. Eu estava atenta. Assim que foi possível, registei o meu testamento vital.

Quase ninguém sabe o que é. Quase ninguém o fez.

Mas nunca se é jovem demais para pensar no assunto.

https://www.sns.gov.pt/sns-saude-mais/testamento-vital/ (aqui encontra links para a legislação)

https://servicos.min-saude.pt/utente/Info/SNS/RENTEV

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publicado às 21:03



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